NP D NP Diário #25 | 13/06/2022 | É mais fácil fazer algo forçado que voluntario | A instabilidade continua

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NP Diário #25 | 13/06/2022 | É mais fácil fazer algo forçado que voluntario | A instabilidade continua

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13/06/2022

▀▄▀▄ Texto ▄▀▄▀
Hoje é 13 de junho de 2022, uma segunda-feira. Estou no mercado "pingo doce" de Vila Real, situado no Lordelo, pelas 17:09 a escrever este NP Diário. O objetivo, neste momento, seria regular o meu horário de forma a estar acordado entre o período das 7 da manhã às 22 horas da noite. Não tenho tido sucesso nesta minha tentativa, porque como referi, naturalmente sou uma pessoa noturna e dado ao que estou a passar em termos psicológicos, só acresce dificuldade em eu conseguir atingir este objetivo.

Atrasar-me neste objetivo não me ajuda em nada, porque se amanha for viver para a rua terei que, pela força, fazer este horário, além de uma serie de outras situações. No entanto, analisando a situação de outra forma e por saber que provavelmente ficarei sem estes pequenos "confortos", tento aproveitar o máximo usufruir deles enquanto posso. É um sentimento contraditório, em que por um lado sei que tenho de corrigir isso, mas por outro existe um pouco de "deixa-me estar, só mais um bocado".

É mais fácil alguém se habituar a um ambiente hostil quando lhe é imposto ou forçado, que se habituar a esse mesmo ambiente hostil de forma voluntaria. O esforço e força de vontade na segunda opção, são muito maiores que na primeira. Eu ter acesso a conforto e a dinheiro, ainda que exista um preço alto a ser pago indiretamente, torna a missão mais complicada.

Dito assim, parece que tudo isto passa por uma vontade minha. Mas só pessoas más e desonestas é que podem tirar esta conclusão depois de tudo o que tenho relatado. Infelizmente não é uma opção minha e como já afirmei diversas vezes aqui, o Nómada Português não é uma opção para mim.

Todo este acesso a determinados confortos básicos é superficial e requer que limite a minha liberdade e condicione as minhas decisões sobre a vontade de uma pessoa. Esta situação não me ajuda a evoluir. Prova disso, é a evolução muito pequena que tenho tido ao longo destes dois anos. Para vencer a depressão preciso de ser feliz e me sentir bem comigo mesmo, e para isso não me posso sentir preso. Não posso, também, impor a minha vontade sobre a vida de outras pessoas, porque se o fizesse, estaria a fazer o mesmo que acabo de apontar ao outros.

Para ser feliz e me sentir bem comigo mesmo é importante ser independente. É para essa independência que tenho lutado diariamente todo este tempo e sei que em algum momento da minha vida, ter essa independência vai significar viver na rua. Por um lado estarei em condições precárias de vivência, mas por outro, e se me conseguir habitual mentalmente a isso, poderei conseguir prosseguir com o que sempre quis, ler e estudar.

O objetivo será trabalhar para comer, para poder passar o resto do tempo e ler e estudar. Não será fácil e é uma realidade que me é imposta pela sociedade. Se quero estudar, esta forma é a única maneira de o conseguir fazer.

Não tenho qualquer expectativa que esse estudo me dê uma vida de qualidade, porque devido á minha condição social de pobreza extrema, a única opção que a sociedade me dá é continuar vivo para o fim de produzir para as elites e classes superiores deste pais. Eu recuso-me a ser um robô ou a ser explorado desta forma pouco humanista.

É importante eu me mentalizar que o estudo não mudará a minha condição social e por isso é importante escrever, gravar, filmar e deixar um trabalho literário e multimédia para a posterioridade. Será valorizado? No próximos 100 anos de certeza que não.

O meu objetivo é criar essa obra para depois a tentar preservar no tempo de alguma maneira. Se tiver sucesso nessa preservação, um dia muito distante de hoje, 13 de Junho de 2022, alguém em meio a relíquias irá se deparar com toda a minha obra. Essa pessoa ficará abismada com o que escrevi, gravei e filmei e começará a partilhar com as demais pessoas.

Quero querer que a minha obra, poderá ser a luz para a mudança de mentalidades num período muito escuro da existência humana.

Contudo, tudo o que acabei de escrever é suposição. Se...Se... Talvez esteja enganado, e deus queira que esteja mesmo enganado, e que na verdade a raça humana caminhe numa direção e prosperidade para todo o cidadão. Nada me deixaria mais feliz.

Quando saio á rua, como agora em que olho para as pessoas que me rodeiam neste mercado, tenho a sensação que só eu é que sou pobre. Tenho a sensação que vivo numa realidade paralela que nada tem que ver para o mundo real, e esse mundo real é perfeito e cor de rosa. Muitos acusar-me-ão de não querer fazer parte desse mundo perfeito e cor de rosa por mera opção pessoal. Mas a verdade é o que mais queria neste momento, fazer parte desse mundo perfeito e cor de rosa.

Sou acusado de fazer uma opção que na verdade, quero fazer, mas não posso fazer.

São muitas as pessoas que resumem a pobreza ou a situação de necessidade de alguém, a uma mera opção da própria pessoa.

Nestes últimos dois anos tenho gerido duas situações que aparentemente, são incompatíveis. Por um lado, lutar contra este estado depressivo e por outro gerir uma relação, uma pessoa que requer atenção e que pela sua forma de ser não entende determinadas situações, resultando em muitos casos numa limitação da minha liberdade e crises de ansiedade.

Para conseguir contentar a relação, tenho de sacrificar a minha questão psicológica, e para conseguir contentar a minha questão psicológica tenho de sacrificar a relação.

A verdade é que durante imenso tempo me anulei a mim próprio. Nunca, durante todo o tempo, ninguém valorizou o facto de eu me ter anulado, enquanto pessoa, para que outros pudessem estar satisfeitos. Isso contribuiu para a situação em que estou agora.

Sem psicológico ou estabilidade mental e emocional não é possível ter qualquer relação, é por isto que a prioridade deve ser procurar essa estabilidade emocional. Se isso sacrificar a relação... É algo que ficarei bastante triste, mas a verdade é que se não conseguir estabilidade emocional e normalizar o meu psicológico, posso acabar por fazer alguma loucura. Isso, definitivamente, é algo que não quero.

O que mais tenho de valor hoje é a minha consciência. Cometer um ato que coloque em risco a integridade física ou até a vida de terceiros é algo com que não vou conseguir viver. Eu não gosto de fazer mal a ninguém. Eu não gosto de enganar ninguém. Eu gosto de ver todos felizes á minha volta. São estes sentimentos que me mantêm vivo e com vontade de continuar a viver. Prefiro que sejam os outros a enganar-me a mim ou atentarem contra a minha vida, ou integridade física que o contrário.

Em condições e momento certo o ser humano é capaz de fazer de tudo, até as coisas mais hediondas que existem. Quem diz que não é porque é mentiroso, desonesto ou não tem coragem para assumir as suas fraquezas que são intrínsecas á sua raça, que é a humana.

Contudo, cabe a cada um de nós não deixar que se reúna essas condições que permitem que percamos o controle sobre os nossos atos e consequentemente possamos fazer ações ás quais não nos identificamos e até repudiamos.

Com o Nómada Português é isso que tenho tentado fazer. Quando tomo decisões de retomar determinadas liberdades é precisamente para que não perca o controle. Quando falo das disciplinas físicas, alimentar e financeiras é para que eu possa controlar a minha mente. Só controlando a nossa mente e não cedendo a impulsos é que conseguimos ser aquilo que idealizamos e é neste caso que podemos afirmar que nunca faremos tal ação.

A disciplina financeira é importante porque temos que valorizar o dinheiro que temos na mão. Acresce anda que alguém na minha situação tem de ter contenção nos gastos porque o dinheiro que gasta é dinheiro de terceiros. É por isso se devemos valorizar o nosso dinheiro, mas temos a obrigação ainda maior de valorizar, o dinheiro dos outros.

A minha meta de gastos atualmente é de 5€/Dia. Esta meta pode ser considerada uma meta muito ambiciosa dado à inflação que temos tido nos últimos tempos. Na maior parte dos meses passados, desde do ano passado não tenho conseguido atingir essa meta, sendo que a diferença anda à volta do valor que tenho pago em impostos, através do IVA. Sigo a tentar cumprir esse objetivo, mesmo tendo em mente que cada vez mais será complicado devido ao valor dos produtos básicos. Mas para já o objetivo de 5€/Dia mantém-se.

A gestão do meu psicológico e da relação gera situações de ansiedade o que faz que me refugie na comida. Esse facto faz com que aumente os gastos que tenho e inerente-mente, também não cumpro com a disciplina alimentar. É importante realçar que a disciplina alimentar e financeira estão diretamente relacionadas uma vez que basicamente os meus gastos é com comida. Desta forma, se me descontrolar num, automaticamente me descontrolo no outro.

Para controlar estas situações criticas de ansiedade torna-se importante ter esses montantes monetários disponíveis para comprar alimento.

O problema é que a referida pessoa de quem dependo ameaça tirar essa disponibilidade financeira caso eu não faça o que ela quer. Se isso acontecer, ela retirar essa disponibilidade financeira, para mim a opção do que fazer é muito clara, tenho que ir embora e viver na rua.

Não estamos a falar de luxo. Estou a falar em montantes que rondam os 160€ mensais para a minha subsistência. Devo ser mais contido? Claro que sim, mas tenho que gerir uma serie de situações, e para tapar a "cabeça", por vezes tenho que destapar os "pés".

Óbvio que ela não é obrigada a me ceder nada e nunca eu pus as coisas nesses termos. Mas como referi atrás, se não fizer nada e me mantiver nesta situação, estará a ser formado um ambiente para que eu possa cometer uma loucura. É por isso que prefiro sair, ir para Lisboa e enfrentar a vivência na rua, do que ficar numa situação em que não tenho "escape" e tudo começa-se acumular.

Esta situação tem-se tornado cada vez mais difícil. Ela em muitas vezes já usou isso para me coagir, e desta forma tenho que me preparar e mentalizar para ir viver para a rua de uma hora para a outra. Já tenho guardado o dinheiro para a viagem de Vila Real para Lisboa.

Se for viver para a rua, tenho de ir para Lisboa. Afinal, Lisboa é a minha cidade. Se isso ocorrer, todas as metas que tento lutar para atingir, terão que ser atingidas pela força.

Se isso acontecer, se for viver para a rua de uma hora para a outra, tenho de me estabilizar, minimamente. Irei continuar a fazer, pelo menos, o NP Diário. É por isso que criei o "modo mendigo" do Nómada Português, para poder continuar a registar o que se passa na minha vida, de forma organizada.



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